segunda-feira, 12 de maio de 2014

Déficit de atenção indica vulnerabilidade social

Pesquisadores descobriram que muitas das crianças diagnosticadas com TDAH enfrentam problemas como pobreza, divórcio dos pais, convivência constante com violência ou abuso de substâncias nocivas à saúde



Quando a criança tem dificuldade para focar em tarefas, manter o ambiente em que está inserida organizado ou controlar os próprios comportamentos, há o risco de ela ter o transtorno de deficit de atenção com hiperatividade (TDAH). O distúrbio, segundo estudo divulgado na última terça-feira (6), durante a reunião anual da Pediatric Academic Societies (PAS), no Canadá, pode refletir dramas que não são apenas pessoais. Ele também é um indicador de vulnerabilidade social.

Os pesquisadores descobriram que muitas das crianças diagnosticadas com TDAH enfrentam problemas como pobreza, divórcio dos pais, convivência constante com violência ou abuso de substâncias nocivas à saúde. “Os resultados sugerem que essas crianças presenciaram taxas significativamente maiores de traumas durante a vida do que as consideradas saudáveis”, explica Nicole Brown, responsável pelo estudo.
 
rown e a equipe usaram dados de 2011 do Inquérito Nacional de Saúde da Criança, sondagem feita anualmente pelo governo canadense. Foram analisadas informações de 65 mil pessoas, com idade entre 6 e 17 anos. Elas e os pais responderam a um questionário sobre TDHA (ocorrência, gravidade e tratamento do transtorno) e a possível ocorrência de nove experiências adversas na infância: pobreza, divórcio, morte de um dos pais/encarregados de educação, violência doméstica, violência no bairro em que moram, abuso de substâncias, prisão, doença mental familiar e discriminação.

Os participantes que haviam lidado com quatro ou mais experiências ruins eram quase três vezes mais propensos a usar medicamentos para tratar o transtorno do que os que conviveram com três ou menos situações. “O conhecimento sobre a prevalência e os tipos de experiências adversas entre as crianças diagnosticadas com TDHA pode guiar os esforços para enfrentar o trauma na população e melhorar a triagem de prognósticos, a precisão de diagnósticos e a gestão dessas pessoas”, observa Brown.

Ela sugere que os pediatras considerem as experiências adversas ocorridas na infância de pacientes suspeitos de terem TDHA e, no caso do diagnóstico, sejam refeitos os testes levando em consideração os fatores de vulnerabilidade. “A ideia é que se iniciem os planos de tratamento e de intervenção sempre baseados em evidências que não sejam só sobre a dificuldade da criança em ficar parada ou em se concentrar. As causas para esse transtorno são muito mais profundas. É preciso ter conhecimento das experiências vividas pelo paciente antes de qualquer diagnóstico”, sugere.

Incidência
Estima-se que o TDAH afete de 5% a 10% das crianças em idade escolar e que seja 10 vezes mais frequente em meninos, segundo o Manual Merck de Informação Médica. Cerca de 20% dos garotos e das garotas com o transtorno apresentam incapacidades de aprendizagem e em torno de 80% enfrentam problemas em algum momento da vida escolar. 

FONTE: Portal UAI

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Socialização e adaptação da criança na pré-escola



Nos dias de hoje, em que a mulher assume cada vez mais atividades fora do lar, é comum as crianças irem mais cedo para a escola.

Os pais diante do fato de que a mãe precisa recomeçar a trabalhar, podem optar por deixar seu filho em um Berçário (Pré-Escola), deixar com familiares ou contratar uma babá. A escolha deve ser feita com maturidade, pois podem surgir críticas e como os pais são os responsáveis pela criança devem estar seguros de sua decisão.

A opção sendo por uma escola, os pais e familiares podem fazer uma pesquisa no bairro em que moram por uma escola que se adapte suas as expectativas ex: ( porte da escola - pequena, média ou grande - número de alunos por sala, filosofia da escola, valor da mensalidade, etc), sempre é bom uma visita pelo espaço físico e uma conversa com a direção.

As escolas de Educação Infantil - Pré-Escola oferecem serviços do Berçário ao Pré ou seja crianças de 0 a 7 anos, divididos conforme faixa etária, ou seja:
Berçário - 0 a ± 1 e 3 meses *
Maternal - ± 1 e 3m a 3 anos *
Jardim I - 3 a 4 anos*
Jardim II - 4 a 5 anos*
Pré (primeiro ano) - 5 a 7 anos
*( a divisão por faixa etária pode variar conforme a escola)
A adaptação da criança está na dependência da orientação da educadora, que deverá conhecer suas necessidades básicas, suas características evolutivas e ter informações quanto aos aspectos de saúde, higiêne e nutrição infantil (todas estas informações devem ser passadas pelos pais em entrevista prévia com a direção através de anamnese). Sendo assim, a socialização da criança desenvolve-se harmoniosamente adquirindo superioridade sob o ponto de vista da independência, confiança em si, adaptabilidade e rendimento intelectual.

As atividades programadas devem basear-se em suas necessidades e interesses; crianças são ávidas para explorar, experimentar, colecionar, perguntar, aprendem depressa e desejam exibir suas habilidades.

As atividades como percepção visual, percepção visomotora e coordenação motora, percepção auditiva, linguagem oral , percepções gustativas e olfativas, percepção tátil, Educação Artística e Educação Física integram o processo de aprendizagem da criança com o processo de socialização.

Caberá à pré-escola estimular e orientar a criança, considerando os estágios de seu desenvolvimento, aceitando-a e desafiando-a a pensar. O ambiente que estimule a atividade criadora da criança, além de contribuir para o seus desenvolvimento global, estará, certamente, favorecendo a aproximação da criança à realidade escolar.

Saliento que o desenvolvimento da criança deve ser acompanhada principalmente pelos pais pois a escola é apenas um suporte facilitador para todo o processo. Os pais também devem acompanhar a rotina da criança através da agenda escolar, onde a educadora anota recados para os pais ou comunica como foi o dia da criança.

A seguir algumas informações sobre o processo de adaptação no maternal:
1 - A decisão de colocar seu filho na escola deve resultar de atitude pensada, consciente e segura;
2 - A vinda da criança para a escola deve ser preparada; entretanto, evite longas explicações para ela, pois isso pode despertar suspeitas e insegurança;
3 - A separação, apesar de necessária, é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a mãe, mas é superado em pouco tempo;
4 - Cuidados devem ser tomados nesse período de adaptação em relação a: troca recente de residência, retirada de chupeta ou fraldas, troca de mobília do quarto da criança, perda de parente próximo ou animalzinho de estimação;
5 - O choro na hora da separação é frequente e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola;
6 - A ausência do choro não significa que a criança não esteja sentindo a separação. Não force com violência e ansiedade a criança a ficar na escola;
7 - Evite comentários sobre a adaptação da criança em sua presença;
8 - Cabe à mãe entregar a criança ao educador, colocando-a no chão e incentivando-a a ficar na escola. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe;
9 - Nunca saia escondido de seu filho. Despeça-se naturalmente.
10 - A sala de atividades é um espaço que deve ser respeitado e sua presença nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará as outras crianças cobrarem a presença de suas mães;
11 - Incentive a criança a procurar a ajuda do seu educador quando necessitar algo, para que crie laço afetivo com ele;
12 - Lembre-se que o educador atende às crianças em grupo, procurando distribuir sua atenção, igualmente, promovendo junto com a mãe a integração da criança;
13 - Se os pais confiam na escola, sentirão segurança na separação e esse sentimento será transmitido à criança, que suportará melhor a nova situação;
14 - O período de adaptação varia de criança para criança, é único e deve ser avaliado individualmente;
15 - Evite interrogatórios sobre o dia da criança na escola;
16 - Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vômitos etc.)
17 - É comum verificar-se nessa fase uma ambivalência de sentimentos. O desejo de autonomia da criança e a necessidade de proteção ocorrem simultaneamente.
18 - Cuidado com a aparente adaptação. Os pais devem respeitar o período estabelecido pela escola.
19 - A adaptação das crianças de período integral inicialmente deve ser feita em um turno(manhã ou tarde).
No programa de adaptação a mãe pode ficar do 1o. ao 3o. dia 2hs junto no pátio e visível à entrada da sala de atividades. No 4o. dia a mãe pode se distanciar um pouco e observar de longe e no 5o. dia ausentar-se 1 hora após a entrada. Na 2a. semana o horário deverá ser normal sem a presença da mãe.

Existem crianças que já no primeiro dia se despedem da mãe e se integram com as outras crianças, neste caso não há necessidade do programa de adaptação.

Dúvidas de Adaptação no Berçário:

No Berçário é frequente o aparecimento de sentimentos de culpa, insegurança, ansiedade e ciúmes pelo "abandono" do filho na escola. Se você estiver deprimida por esse sentimento procure discuti-lo com a Psicóloga da escola.

A grosso modo, até os sete meses não há apresentação de problemas de adaptação, pois o bebê não distingue, visualmente, a sua mãe de outros adultos estranhos, sugere-se dois ou três dias para adaptação da mãe. A partir dos 8 meses verifica-se o "estranhar" (nível de maturação que permite ao bebê distinguir a diferença visual entre o conhecido e o desconhecido). Nessa época a adaptação pode ficar mais difícil e levar alguns dias.  

Comece deixando-o no berçário no 1o. dia por uma hora, fique por perto observando a rotina, o ambiente e vá aumentando o tempo de permanência da criança progressivamente no 2o., 3o. dia e assim por diante até a criança ficar o período normal sem a sua presença.
Em caso de dúvidas quanto ao comportamento de seu filho ou quanto às condutas adotadas pela escola, procure a direção que estará à sua disposição para esclarecê-lo e ajudá-la sempre que necessário.

FONTE:UOL

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Festa da Família



No último sábado, dia 26, o Colégio Conviver realizou mais uma edição da Festa da Família. O evento foi um sucesso e contou a presença de dezenas de pais, alunos e familiares, que fizeram a festa ainda mais especial. Durante toda a manhã, foram realizadas várias oficinas com materiais recicláveis, apresentações musicais e de teatro, além de um aulão de alongamento que encerrou a festa com chave de ouro.

O Colégio Conviver agradece a todos pela presença e participação.















sexta-feira, 25 de abril de 2014

Parceria escola e família


Tenho visitado muitos Centros de Educação Infantil em Toronto. E venho me impressionando como as famílias são de fato consideradas parceiras na educação e cuidados das crianças pequenas por aqui! Dessa forma, a educação parece ser mais holística, em que familiares e profissionais esforçam-se por integrar, no cotidiano institucional, as diversidades e individualidades de cada criança.

De acordo com os documentos oficiais do Ministério da Educação, todos os dias, milhares de crianças e suas famílias são recebidas por profissionais especializados em comunidades e centros diversos em todo o estado de Ontario. Há dez anos, a província tem investido na melhoria dos serviços educacionais para a primeira infância, por considerar essa faixa etária como a mais importante no desenvolvimento de cidadãos saudáveis, participantes, criativos e inovadores. Por isso, está sendo implementada desde então, ano após ano, uma política específica para os primeiros anos de forma que as crianças comecem a vida da melhor maneira possível. A política está baseada em vários programas, dos quais destaco três: (1) garantir salas de pré-escola em período integral, propiciando que todas as crianças de 4 a e 5 anos ingressem no sistema educativo e tenham suas necessidades atendidas; (2) implementar o programa “Best Start Child” (melhor começo para as crianças) e os centros de atendimento às famílias; (3) criar condições institucionais para que as crianças desenvolvam competências e habilidades linguísticas para falar inglês. Estes três programas buscam responder demandas importantes das famílias, principalmente em Toronto, que é considerada a cidade com maior número de imigrantes do planeta e que se tornam cidadãos canadenses mantendo suas línguas, religiões e hábitos diversos.

Como integrar a diversidade em um projeto coletivo senão por meio do trabalho com as crianças? Para isso, o Ministério, em parceria com o Estado e as municipalidades, estabeleceu um sistema de regulação no qual todas as instituições devem ser credenciadas a partir de uma avaliação que torna pública sua qualidade por meio de um selo afixado na porta de cada Centro. Assim, os pais, as mães e outros familiares podem checar a qualidade do Centro que seus filhos freqüentam, compreendendo aspectos relativos à saúde e segurança; programação dos ambientes físicos; programação de educação infantil; gestão pública; financiamento público e, finalmente, o que nos importa nessa conversa: como se dá a parceria com as famílias.

Estagiei em um Centro Cooperativo associado à Universidade de Toronto que leva às últimas consequências a parceria efetiva dos profissionais da educação e das famílias – estudantes, funcionários e professores cujos filhos frequentam o Centro. Sua gestão é coletiva e a proposta pedagógica, ainda que siga o programa governamental, é discutida com os adultos que, tal como as crianças, beneficiam-se da instituição. Como? Todos os dias, de maneira gostosa e divertida, pais e mães participam das atividades infantis, seja tocando violão para a turma de seus filhos ou fazendo um bolo como sobremesa. Não existe um período determinado da adaptação da criança ao Centro. O pai ou mãe pode fazer companhia a ela até que se sinta confortável em seu novo ambiente de exploração, brincadeiras e aprendizagens. Vale acrescentar que observei um número grande de adultos em interação com as crianças, não só nesse Centro como em vários outros. No início me perdi na diversidade de interações presentes nas salas, buscando uma lógica pedagógica e institucional. Aos poucos percebi que a vida é levada lá para dentro e, com organização e sentido, as crianças aprendem a conviver na diversidade, sem pautas escolares nem agenda extensiva e extenuante. As crianças e os bebês enriquecem, assim, suas experiências, contando com os pais e educadores como parceiros em sua entrada gradativa no rico mundo cultural pré-estabelecido.

Gisela Wajskop é socióloga, mãe de Felipe, 30, e Marcelo, 16. Ela sempre trabalhou com ensino infantil e tem mestrado sobre a brincadeira na escola pública e doutorado sobre como formar professores para estimular a diversão das crianças, ambos pela USP. Quer escrever para Gisela? Envie seu e-mail para redacaocrescer@gmail.com - no assunto da mensagem escreva Educar para a Vida.

FONTE: Revista Crescer